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Dados e IA no agronegócio: tecnologia como requisito para exportar

Durante muito tempo, a competitividade do agronegócio brasileiro esteve diretamente associada à produtividade. Produzir mais, em maior escala e com custos reduzidos era o principal fator de acesso aos mercados internacionais.

Esse cenário mudou. Hoje, a produtividade continua sendo importante, mas não é mais suficiente. O acesso aos principais mercados compradores passou a depender de algo ainda mais crítico: capacidade de comprovação.

Rastreabilidade, conformidade ambiental, consistência de dados e transparência ao longo da cadeia produtiva deixaram de ser exigências periféricas e se tornaram critérios centrais para exportar.

 

O protagonismo do agro e o aumento das exigências

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram que o agronegócio respondeu por quase metade das exportações brasileiras em 2024. Esse protagonismo consolida o Brasil como fornecedor mundial de alimentos, fibras e insumos estratégicos.

Mas esse mesmo protagonismo traz uma contrapartida clara: quanto maior a relevância do agro brasileiro no comércio internacional, maior o nível de escrutínio sobre suas operações.

Os países compradores querem saber de onde vem o produto; como ele foi produzido; se atende a critérios ambientais, sanitários e trabalhistas e se todas essas informações podem ser comprovadas, de forma objetiva e auditável.

Nesse novo contexto, a exportação deixa de ser apenas um fluxo logístico e passa a ser também um fluxo de dados.

 

Tecnologia como pré-requisito

Com a entrada em vigor de normas ambientais mais rígidas, especialmente nas relações comerciais com União Europeia e Estados Unidos, tecnologias como inteligência artificial, análise de dados e sistemas de rastreabilidade digital deixaram de ser um diferencial competitivo.

Elas passaram a ser pré-requisitos logísticos e aduaneiros. Não se trata mais de “inovar”, mas de atender ao mínimo necessário para acessar mercados. A tecnologia é o que permite:

  • Consolidar informações produtivas;
  • Garantir a integridade dos dados ao longo da cadeia;
  • Reduzir inconsistências documentais;
  • Sustentar auditorias, fiscalizações e exigências regulatórias.

Sem isso, o risco não é apenas perder eficiência, é, sobretudo, perder mercado.

 

Os impactos diretos na operação de comércio exterior

Esse novo cenário afeta diretamente a rotina de quem exporta produtos do agronegócio. Alguns impactos são cada vez mais evidentes:

 

Documentação alinhada à origem e ao histórico produtivo

Não basta emitir documentos corretos do ponto de vista aduaneiro. Eles precisam refletir, com precisão, a origem da mercadoria, seus processos produtivos e sua conformidade ambiental.

 

Inconsistências de dados viram risco operacional

Informações divergentes, lacunas de rastreabilidade ou falhas de registro deixam de ser “ajustes operacionais” e passam a representar risco de retenção de carga, atrasos no embarque, bloqueios em fronteiras ou questionamentos por autoridades estrangeiras.

 

Rastreabilidade acompanhando a carga até o desembaraço

A rastreabilidade não termina na porteira da fazenda. Ela acompanha o produto ao longo da cadeia logística, chegando ao embarque e ao desembaraço aduaneiro no destino.

 

Logística e compliance deixam de ser áreas isoladas

Quando dados e tecnologia entram em cena, logística, fiscal, ambiental e compliance passam a atuar de forma integrada. Separar essas frentes aumenta riscos e fragiliza a operação.

 

O desafio é estrutural

Para quem exporta produtos do agronegócio, a reflexão estratégica precisa ir além da próxima safra ou do próximo embarque.

A pergunta central passa a ser: a operação está preparada para sustentar essas exigências ao longo de toda a cadeia?

Porque não se trata de cumprir uma regra específica, mas de manter um padrão contínuo de conformidade, previsibilidade e controle.

Empresas que ainda tratam tecnologia e dados como algo acessório tendem a enfrentar gargalos cada vez maiores. Já aquelas que integram planejamento logístico, gestão aduaneira e tecnologia conseguem acessar mercados com mais fluidez e menos exposição a riscos.

 

Exportar no agro exige mais do que produzir bem

O agronegócio brasileiro segue extremamente competitivo no campo. Mas, fora dele, a competitividade passa pela capacidade de organizar, integrar e comprovar informações.

Exportar, hoje, exige visão estratégica, estrutura de dados, alinhamento logístico e regulatório e parceiros capazes de enxergar a operação como um todo.

 

Na Logtrade, atuamos nesse ponto de interseção entre logística, tecnologia e gestão aduaneira, apoiando exportadores do agronegócio a estruturar operações preparadas para as exigências atuais e futuras do comércio internacional.

No cenário atual, exportar bem não é só entregar produto, é entregar informação, conformidade e previsibilidade.

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