O acordo entre Mercosul e União Europeia é frequentemente resumido à redução de tarifas.
Para o agronegócio brasileiro, porém, os impactos vão muito além da alíquota aplicada na exportação.
O acordo altera o ambiente operacional, regulatório e logístico das exportações, exigindo um nível maior de preparo das empresas que desejam acessar ou ampliar sua presença no mercado europeu.
Mais acesso ao mercado, mais exigência operacional
A União Europeia é um dos mercados mais regulados do mundo, especialmente para produtos do agronegócio. Com o acordo, o acesso tende a se ampliar, mas as exigências não diminuem, pelo contrário, ganham ainda mais peso temas como:
Exportar para a UE passa a exigir não apenas competitividade de produto, mas maturidade operacional.
Medidas sanitárias e fitossanitárias: oportunidade com responsabilidade
Um dos pontos mais relevantes do acordo para o agro está nas medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS). O avanço em mecanismos como regionalização sanitária, pre-listing de estabelecimentos e maior previsibilidade de critérios pode reduzir incertezas e retrabalho.
No entanto, isso não elimina a necessidade de controle rigoroso de processos. Empresas que não possuem estrutura adequada de compliance sanitário continuam expostas a bloqueios pontuais, retenções, atrasos na liberação e até perda de contratos.
Logística como fator crítico de competitividade
No agronegócio, a logística é uma condição de acesso ao mercado. Com o aumento esperado do fluxo entre Mercosul e UE, cresce também a pressão sobre a capacidade logística, disponibilidade de equipamentos, prazos de embarque e coordenação entre origem, porto e destino.
Produtos agroexportadores, muitas vezes perecíveis ou sensíveis a prazo, dependem de uma cadeia logística altamente sincronizada.
Nesse cenário, falhas logísticas já não são mais apenas operacionais e passam a ser barreiras comerciais.
Regras de origem e expedição: atenção ao detalhe
Outro ponto relevante do acordo está na modernização das regras de origem, incluindo o critério de “não alteração”. Para o agronegócio, isso abre possibilidades logísticas importantes, mas também exige leitura técnica correta, controle documental rigoroso e alinhamento entre produção, armazenagem e transporte.
Erros nesse enquadramento podem impedir o aproveitamento dos benefícios do acordo, mesmo quando o produto é elegível.
O acordo amplia oportunidades, mas seleciona quem está preparado
O agronegócio brasileiro tem escala, competitividade e relevância internacional. O acordo Mercosul–UE reforça esse potencial, mas também eleva o nível do jogo.
Exportar mais para a Europa não será apenas uma questão de demanda. Será uma questão de:
Empresas que tratam a exportação como estratégia (e não como evento pontual) tendem a capturar melhor os benefícios do novo cenário.
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